" AS CORES DA INFÂMIA " : ALBERT COSSERY





" As Cores da Infâmia " é o segundo livro que leio da autoria do escritor egípcio Albert Cossery ( 1913 - 2008) . Do primeiro , "Mendigos e Altivos" ,  já falei  no "SÃO", em Dezembro passado.

Mais uma vez , a trama desenrola-se na zona pobre do Cairo e glorifica quem a sociedade bem pensante classifica como marginais . Fá-lo por comparação com quem obtém sucesso à custa de manobras escusas , enriquecendo sem olhar a meios.

Desta vez o personagem principal é  Ossama , um jovem ladrão que fica na posse de uma carta em que se expõe a rede de corrupção ao  mais alto nível em que está envolvido um promotor imobilário , cujo mais recente edifício desaba ao fim de pouquíssimos meses da inauguração matando dezenas de pessoas.

 "As Cores da Infâmia"  agradou-me pela qualidade da  escrita e, mais ainda, pela refinada  ironia que o escritor usa para descrever as situações. Quem , como eu, teve o privilégio de já ter estado  na capital do Egipto ri de gosto com as descrições sobre o trânsito caótico das suas ruas e avenidas.

Aconselho , sem sombra de dúvidas, a leitura deste livro com quatro capítulos divididos em cento e sessenta e duas páginas.

Desejo-vos uma doce Páscoa e um Abril de liberdade !


EXCERTOS:

  -  "Eu sou apenas um ladrão, e não se torturam aqueles que nos permitem ganhar a vida. O salário dos polícias depende da gente da minha espécie.

Nunca me passou pela cabeça derrubar o poder estabelecido e estou contente com todos os governos. Nenhum regime político me impedirá de roubar. 

Estou certo de que sempre poderei exercer a minha profissão. E esta certeza não existe em nenhuma outra categoria de trabalhadores.

Alguma vez viste um ladrão no desemprego?"


- "Não há nada de mais imoral do que roubar sem riscos.

É o risco que nos diferencia dos banqueiros e dos seus émulos que praticam o roubo legalizado com  a cobertura do governo."


Comentários

  1. Curiosidade em conhecer esta obra.
    Um abraço.

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    Respostas
    1. Se a ler, espero que lhe agrade tanto como me agradou.

      Abraço.

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"BENVEGUT AQUÈL QUE NOS VEN MANS DEBÈRTAS"
(Saudação Cátara)

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