sexta-feira, julho 20, 2012

UM BISPO (A) SÉRIO



"Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porque são equívocos, porque lutam pelos seus interesses, porque têm o seu gangue, porque têm o seu clube, porque pressionam a comunicação social, o que significa que os anteriores, que foram tão atacados, eram uns anjos ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer."


Bispo Januário Torgal Ferreira
(Entrevista na TVI, 18/7/2012)



Não é a primeira vez - e decerto não será a última - que o bispo das Forças Armadas tece duras críticas ao Governo de turno: foi assim com o de José Sócrates e é agora com o de Pedro Passos Coelho /Paulo Portas.

Então qual é a diferença? Penso que, substancialmente, nenhuma. Só que , enquanto criticou um Governo  mais à Esquerda , a Igreja não achou razão para se demarcar das suas censuras. Mas logo que se pronunciou sobre um executivo de Direita , a Conferência Episcopal fez questão de deixar bem claro o seu afastamento ( o que em última análise, pode revelar o seu apoio à actuação governativa).

Aguiar Branco, ministro da Defesa, muito ofendido, exigiu provas das acusações e que o bispo decidisse se queria ser bispo ou comentador político.Como se o silêncio da Igreja sobre a actuação predadora deste Governo não fosse , ele também , político.


E não é o papel da Igreja defender os mais pobres, os mais vulneráveis, os mais desfavorecidos?


Oficialmente é! Só que ao longo de toda a sua existência de mais de dois mil anos, a Igreja  enquanto instituição (exceptuando João XXIII e João Paulo I) aliou-se sempre a todos os poderes e justificou-lhe todas as infâmias.

Além das barbaridades que ela própria praticou e continua a praticar. Como , só por exemplo, a  pedofilia, protegendo os criminosos e abandonando as vítimas.

Consequentemente , Januário Torgal Ferreira limitou-se a cumprir o seu papel face a um Governo que não toca em quem tem riqueza e poder (caso das grandes fortunas, das Parcerias Público - Privadas, das rendas excessivas) mas que esmaga com impostos, aumentos do custo de bens essenciais e anulação de direitos a classe média .

Fez política? Por ser bispo, não deixa de ser um cidadão. E talvez mesmo por ser ambas as coisas, maior é a sua responsabilidade.

Mas, claro,  é mais fácil o silêncio cúmplice:
quem não se lembra do exílio forçado de António Ferreira Gomes, bispo do Porto, sob a ditadura de Oliveira Salazar e com a total conivência do seu dilecto amigo Manuel Gonçalves Cerejeira, cardeal patriarca de Lisboa?

quarta-feira, julho 18, 2012

"NOVA TEORIA DO MAL", DE MIGUEL REAL

Acabei ontem de ler este pequeno livro ( 183 páginas).

Não posso dizer que o li de um fôlego, pois sou (quase) autodidacta em filosofia. Aliás, disciplina que os nossos doutos Governos aboliram  do currículo escolar ( o que se compreende perfeitamente, pois pensar é perigoso e não lhes convém).

O autor assume que o escreveu pela "revolta moral contra o estado de vida degradado, autenticamente terceiro-mundista , de mais de 2 milhões de habitantes de Portugal."

E baseado na degradação das condições de vida das pessoas e no desrespeito a que são votadas , no total descrédito da classe politica e na omnipotência dos mercados,desenvolve uma teoria sobre o mal , condição intrínseca sempre presente ao contrário do bem, que é ocasional.

O mal é banal e  arranja justificações. Quem o pratica escuda-se sempre sob razões consideradas boas e adequadas.

O bem é tão-só uma tentativa para prever, prevenir e minimizar o mal.

Actualmente, pessoas honestas , amáveis e cristãs condenam seres humanos seus iguais à morte em nome das exigências da Economia como Hitler enviava para as câmaras de gás deficientes, ciganos e judeus invocando a necessidade de purificar a Raça; e a Inquisição cristã destruia civilizações e queimava pessoas nas suas fogueiras em nome de um deus de paz e amor.

Como já sabem , não tenho conhecimentos técnicos para criticar literatura. Guio-me pela minha intuição e pelas centenas e centenas de livros que li ao longo da minha vida.

Consequentemente, só posso transmitir o meu prazer ou desagrado  na leitura de qualquer obra.

"Nova Teoria do Mal" é um livro que recomendo vivamente.

Faço, no entanto, uma ressalva a quem for cristão e não queira saber a verdade (dói sempre) , pois Miguel Real desmonta lucida e ferozmente o tenebroso papel que a prática do cristianismo tem efectuado há mais de dois mil anos.

Sugiro também que se aborde a Apresentação atentamente antes e depois da leitura completa da obra.

" Como foi possível que deputados,primeiros-ministros, presidentes da república, ministros da economia, do trabalho, das finanças, da agricultura, tivessem feito tanto mal a um país..., continuando a ter uma vida pública com um sorriso na cara como se a sua obra tivesse sido boa, premiados com altos cargos em empresas públicas ou privadas  numa promiscuidade que faz bradar o pior da política  maoísta ou estalinista?"

Esta questão angustiada, indignada e perplexa  de Miguel Real é aquela que há muito tempo eu também coloco. Com a agravante de não perdoar a quem se abstém e deixa nas mãos de outros a continuação deste estado de sítio .Que são alienados ou estúpidos o bastante para continuarem a eleger quem lhe degrada completamente a vida e lhe rouba o futuro!!

terça-feira, julho 17, 2012

ARTISTAS E CULTURA

O maestro Riccardo Muti enfrenta Berlusconi, confrontando-o com a desastrosa política cultural do seu Governo, com o total apoio do público e dos artistas em palco.

Que pena não assistirmos a algo semelhante aqui neste país, que é nosso!!




segunda-feira, julho 16, 2012

domingo, julho 15, 2012

sexta-feira, julho 13, 2012

quinta-feira, julho 12, 2012

quarta-feira, julho 11, 2012

PENSAMENTO: TORGA

"É um fenómeno curioso:



o país ergue-se indignado,


moureja o dia inteiro indignado,


come,


bebe

e diverte-se indignado,


mas não passa disto. 

Somos, socialmente,
 uma colectividade pacífica de revoltados."


MIGUEL TORGA

terça-feira, julho 10, 2012

PORTO


Partimos das Termas de S.Vicente (Pinheiro, concelho de Penafiel) e fomos visitar o Porto:



















Regressámos depois às Termas.

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