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Álvaro Barreirinhas Cunhal nasceu em 10-11-1913 , morrendo a 13/6/2005.
Os seus noventa e um anos de vida foram preenchidos com factos extraordinários e uma intensa vida política.
Sendo eu de Esquerda, nunca o acompanhei na sua acrítica devoção pela extinta URSS, de quem chegou a afirmar ser o Sol da Terra em matéria de sistema político, mesmo já depois de se saber do terror estalinista, do Pacto entre a URSS e a Alemanha hitleriana, do esmagamento da Primavera de Praga, do Muro de Berlim.
Tenho na memória o memorável debate entre ele e Mário Soares, na RTP, e o seu célebre:"Olhe que não...Olhe que não".
Não se pode branquear o seu propósito de instaurar em Portugal algo semelhante ao regime soviético nem o que aconteceu no conturbado período do Processo Revolucionário em Curso (PREC).
Mas no seu pragamatismo soube travar a tempo , para que não rebentasse uma guerra civil.
No entanto, respeito-o porque escolheu ser "filho adoptivo da classe operária" e pagou um altíssimo preço pela sua opção.
Admiro a sua coragem e a sua força. Porque é necessário ter uma personalidade fora do comum para dizer ao agente da PIDE que o prendeu, não estar ali para lhe facilitar a vida; para aguentar a tortura sem denunciar quem quer que fosse;para resistir a oito anos numa cela ,sem comunicar com ninguém; para empreender uma arrojada fuga do Forte de Peniche, prisão de alta segurança da ditadura.
Além de tudo o mais, pintou e escreveu. Aliás, estreia hoje a adaptação do seu livro "Até Amanhã, Camaradas" no cinema.
Por tudo isto, aqui deixo este preito a um Homem, cuja acção não pode ser ignorada na História portuguesa recente.
Que descanse em Paz!
** A foto é a da ficha da PIDE.
